Kduborges — Em Versos e Prosa.
Este espaço não é apenas um blog, é um sonho antigo que ganhou forma, pixel e coragem.
Aqui, cada verso que nasce é semente, e cada prosa, um pedaço do meu chão. Quero ser mais do que autor, quero ser interlocutor…
Quero estender uma ponte feita de palavras, onde o meu sentir possa encontrar o seu, pois de que vale um chão, por mais firme que seja, se ninguém caminha sobre ele?
E que destino tem a semente se não encontra terra fértil no olhar de quem a lê?
Este lugar, portanto, não é um palco, mas uma mesa, uma mesa posta com as crônicas do dia a dia, com as inquietações que nos tiram o sono e com a beleza teimosa que insiste em brotar nas frestas do concreto.
A prosa é a nossa toalha estendida, o pão que se reparte; o verso é o vinho, a pequena celebração, a vertigem que nos lembra que a vida é também mistério e melodia.
E por isso, as palavras aqui se despem de armaduras; elas se apresentam como são:
Não quero a palavra que ecoa sozinha,
Solitária e fria, num salão de mármore.
Quero as palavras que se fazem vizinhas,
Que me bate à porta, me empresta uma xícara de alma.
Não busco o verso de impecável métrica,
Que se admira à distância, intocável e mudo.
Busco o verso que tropeça, a frase assimétrica,
Que carrega a cicatriz e a verdade de tudo.
Que a minha prosa seja o chão seguro,
Onde o seu passo encontre algum repouso.
E que o meu verso seja o céu, o obscuro.
Que se ilumina num instante, precioso.
Pois sou autor somente no começo,
No instante em que a palavra semeia.
Mas é na sua leitura que floresço,
E a nossa troca faz a colheita cheia.
Portanto, sinta-se em casa, puxe a cadeira e fique à vontade para concordar, discordar, acrescentar.
Traga o seu próprio chão, as suas próprias sementes; este espaço só se completa com a sua presença, pois um interlocutor não existe sem o milagre do outro.
E é para esse encontro que as palavras nasceram.
