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  • VERSOS 25 maio 2026 2 min de leitura

    Silêncio sem pressa.

    [email protected] 25 de maio de 2026 , , , , ,

    Silêncio sem pressa.

     

    Era uma vez um silêncio.

    Não daqueles que pesam como lápides,

    Mas o que flutua, leve,

    Como pólen no primeiro sopro da manhã.

     

    O silêncio que habita

    Na ponta do lápis suspenso,

    O ecrã branco à espera do primeiro lampejo,

    O espaço entre dois suspiros

    Quando o coração sussurra:

    “Agora. ”

     

    É o silêncio-berço,

    Onde as histórias se enrolam, desenrolam.

    Como sementes em casulos de sonho.

    Antes do verbo,

    Antes da tinta correr,

    Antes da coragem de dizer:

    “Era uma vez…”

     

    Há este chão quieto.

    Fértil.

    Inteiro.

    Nele, as palavras futuras dançam.

    Ainda invisíveis,

    Como sombras de pássaros

    Na parede do pensamento.

    Ideias são barcos ancorados.

    No porto da alma,

    Prontos para zarpar.

    Rumo ao mar do papel.

     

    Sonhar alto, aqui,

    Não é pecado.

    É dever.

    É direito.

    É o ato sagrado.

    De quem ouve o mundo.

    E ousa traduzi-lo.

    Sem pedir licença,

    Em versos que doem de verdade,

    Em prosas que acendem fogueiras

    No frio do esquecimento.

     

    Este silêncio não é vazio.

    É promessa.

    É o útero da criação.

    É o instante em que tudo pode nascer:

    Um grito, um verso, um amor,

    Uma crônica que se alonga

    Como sombra no fim da tarde.

     

    Que este seja o solo

    Onde minhas histórias finquem raízes.

    Onde os versos respirem,

    E a prosa cante.

    Onde o silêncio inicial

    Sempre dê lugar à voz que me habita.

     

    Que a primeira palavra

    Encontre aqui meu lar.

    E nunca tenha medo

    De começar.

    Recomeçar, em cada amanhecer,

    VERSOS